Um Romance de Geração está pronto!

É com orgulho que comunico ao distinto público que o longa-metragem "Um Romance de Geração", dirigido e escrito por mim, adaptado de um livro de Sérgio Sant'Anna, estrelado por Isaac Bernat, Lorena da Silva, Susana Ribeiro e Nina Morena, fotografado por Cícero Rodrigues, com som de Bruno Fernandes, montagem de Karen Sztajnberg e producido por mim, por Isabela Santiago e Vicente Amorim, numa co-produção com a Mixer está... pronto! Agora é inscrever em festivais e preparar o lançamento, provavelmente para o segundo semestre deste ano, ainda.

Posted on Sexta-feira, Junho 27, 2008 at 12:42PM by Registered CommenterDavid França Mendes | Comments3 Comments

Caetano: Obra em Progresso

Durante quase dois meses, Caetano Veloso apresentou uma série de shows, às 4as-feiras no Rio de Janeiro, em que trabalhava seu futuro novo disco. A iniciativa, inédita, uma espécie de making of ao vivo. Eu não tive a felicidade de ver o show, pois estava dando aulas às 4as. Agora a frustração é minimamente reduzida pela descoberta dessa delícia que é o blog da "Obra em Progresso". Vão e vejam. Aqui, abaixo, uma amostrinha.

Posted on Sábado, Junho 21, 2008 at 11:01AM by Registered CommenterDavid França Mendes in | Comments1 Comment

Curso de diálogo

Em julho, ofereço uma oficina de diálogos e descrição de ações em roteiro. A oficina é essencialmente prática e voltada de preferência para quem já fez algum curso básico ou já escreveu algum roteiro. Conhecimento básico de formato de roteiro é importante.

No curso, além de analisar diálogos em filmes importantes, os alunos exercícios de redação de roteiro, que serão detalhadamente analisados. A turma terá uma lotação máxima de 15 alunos e as inscrições estão abertas no Laboratório Estação

Posted on Segunda-feira, Junho 2, 2008 at 06:25PM by Registered CommenterDavid França Mendes | CommentsPost a Comment

Arte e Letra: Estórias

Uma revista de contos e narrativas curtas, de formato agradável, design bonito, com uma escolha eclética de bons autores. Nem acreditei quando vi essa "Arte e Letra: Estórias". arte%20e%20letra%20-%20estrias.jpgNo exterior, é muito comum esse formato de revista literária sem ou quase sem crítica, só literatura mesmo. Aqui, as revistas assim surgem e desaparecem, a maioria infelizmente produzida com muito amadorismo. Tomara que essa nova publicação vingue, permaneça, cresça. Com a Piauí defendendo a não-ficção, e a "Arte e Letra: Estórias" no front ficcional, finalmente temos leitura períodica para quem de fato lê.

Posted on Sábado, Maio 24, 2008 at 01:54PM by Registered CommenterDavid França Mendes | CommentsPost a Comment

Um Beijo Roubado

E já que estou numa de dicas culturais, recomendo também o novo filme de Wong Kar-Wai, o seu primeiro feito no Ocidente e com atores ocidentais, "Um Beijo Roubado" ("My Blueberry Nights"). Tão bonito, intenso e perturbador quanto seus filmes orientais, "2046" e "O Amor à Flor da Pele".

Posted on Domingo, Abril 13, 2008 at 11:05AM by Registered CommenterDavid França Mendes | Comments1 Comment

Putas Assassinas

Interrompo a série de notas sobre a minha viagem de pesquisa à Guiana e ao Amapá com o objetivo de recomendar a todos um livro extraordinário, que acaba de ser lançado em português. Trata-se de "Putas Assassinas", de Roberto Bolaño.

O melhor romance que eu li em 2007, e um dos quatro ou cinco melhores que eu li na vida, foi "Os Detetives Selvagens", de Roberto Bolaño. Agora, saiu a coletânea de contos "Putas Assassinas", pela Companhia das Letras. Comprei e imediatamente li os três primeiros contos. Mesmo sem ter lido o restante, não hesito em recomendá-lo. Bolaño, de quem a Companhia também já publicou "Noturno do Chile" e "A Pista de Gelo", é um escritor incomparável.

Posted on Domingo, Abril 13, 2008 at 10:43AM by Registered CommenterDavid França Mendes | CommentsPost a Comment

De volta

Já estou de volta ao Rio, mas sei que devo a vocês mais algumas impressões dessa viagem e do trabalho que fizemos por lá (sem falar do trabalho que ainda temos pela frente). Nesse post, falo sobre os últimos dias da viagem. No próximo, pretendo contar como foi o trabalho com meus parceiros franceses, inclusive expondo as técnicas de trabalho em colaboração que usamos, e que acredito que podem ser úteis a qualquer um que tenho um projeto de roteiro em parceria. Se der, no fim de tudo, pretendo mostrar umas fotos.

Nossos dois últimos dias na região da fronteira entre o Brasil e a Guiana foram dedicados ao rio Oiapoque e à vida cotidiana em St. Georges. Para conhecer melhor o rio, fechamos um pacote com um barqueiro - 50 euros por duas horas - e partimos. Primeiro, exploramos um igarapé. Impressionante a calma das águas, o espelho d'água refletindo a mata das margens, o céu, o barco, nós mesmos. Uma calma que pode ser interrompida de repente. Após uns dez minutos igarapé a dentro chegamos a uma ponte destruída. O barqueiro conta que uma tromba d'água arrastou metade da ponte, há menos de um mês.

Depois, voltamos ao curso principal do rio e nos dirigimos ao que os locais chamam de Cachoeira do Marripá. Não se trata de uma queda d'água, e sim de um trecho de corredeiras que inviabiliza, em princípio, a navegação rio acima. Em princípio, eu digo, porque na verdade os brasileiros que querem entrar ilegalmente na Guiana e rumar para os garimpos clandestinos dão um jeito de passar, e o nosso barqueiro mostrou como. Eles conseguem atracar o barco entre as corredeiras, tiram todo o conteúdo e arrastam o barco por terra até o trecho do rio, de novo navegável, logo acima.

Não estávamos, é claro, fazendo turismo, por mais que fossem belas as paisagens e emocionantes as aventuras entre corredeiras e igarapés o que nos interessava era algo bem prático e real para quem escreve. É fundamental, na hora de escrever um roteiro, ter imagens concretas na cabeça para poder viabilizar onde e como as ações se passam. Os lugares, com sua atmosfera, sons, cores, são matéria prima bem concreta para criar cenas.

Isso não quer dizer que só se use coisas, pessoas e lugares reais. Inventa-se muito a partir do real. O igarapé que vimos pode ganhar outras características. O barqueiro que nos levou pode virar personagem, misturado a um policial que se viu não sei aonde. E por aí vai. Não canso de repetir isso: é preciso usar a realidade não como limitador do que se pode escrever, mas como seu combustível.

Preciso falar também sobre as nossas observações - e interações - sobre o cotidiano nessa estranha cidade franco-guianense-brasileira que é St Georges. Mais tarde, ok?

Posted on Domingo, Abril 6, 2008 at 01:37PM by Registered CommenterDavid França Mendes in | Comments1 Comment

Au revoir

Oiapoque e St Georges ficaram para tras esta manha. Acabo de chegar a Caiena, de novo. Agora temos muito trabalho, juntos, na historia mesmo. Aguardem para breve novas noticias. Esta sendo otimo contar essas experiencias. Ate breve e desculpem a falta de acentuacao!

Posted on Terça-feira, Abril 1, 2008 at 04:16PM by Registered CommenterDavid França Mendes | CommentsPost a Comment

Alucinações de fronteira

Uma coisa que eu sempre tive em mente para esse projeto para o qual estou pesquisando, em companhia de dois roteistas franceses, aqui entre o Amapá e a Guiana, era que o tom do projeto tinha algo de alucinatório, de escape da realidade. Era intuitivo isso. Aqui, vejo que tenho bem mais de uma razão para seguir com essa aposta. Alguém já disse que uma das mais abjetas habilidades humanas era aquela de não ver o que não se deseja ver. Os homens brancos e negros da Guiana dizem, sem pestanejar, que todas as meninas, todas as mulheres que passam a noite na única praça do Oiapoque, tomando cerveja, comendo churrasquinho, ouvindo Banda Calipso, todas elas estão à venda. Mas basta um mínimo de atenção para ver que a praça é o lugar do encontro das famílias, dos casais de namorados, dos casados, dos grupos de casais amigos, da vida social "normal" da cidade. Se há gente à venda - e há, muita, mulheres e homens também - é porque há gente comprando. Ou alugando, a cinquenta reais mais ou menos.

Uma dona de casa francesa, por outro lado, diz ter horror do comportamento abjeto dos homens brancos, mas bota a maior parte da culpa nas meninas brasileiras, que, segundo ela, são treinadas desde a mais tenra idade para seduzir, manipular e depois destruir os homens. Essa mulher gosta de falar em meio ambiente e diz que faz capoeira porque acha linda a cultura brasileria, mas não consegue enxergar que as tais Mata-Haris infantis vivem numa pobreza absurda e sem nenhuma perspectiva. É quase uma da manhã. Olho para a dona de casa, neurótica até o mais remoto fio de cabelo,  e penso que se opção na minha vida sexual fosse entre ela e a pedofilia, eu ficaria realmente desesperado. E imagino onde estará o marido uma hora dessas.

Um professor de filosofia de segundo grau, francês morador de Caiena, vem quase todo fim-de-semana ao Oiapoque. Por que? Entre tiques de mau ator fazendo papel de professor de filosofia, Com todos os tiques de um ator que interpretasse um professor de filosofia francês (falta apenas o cigarro), ele explica que aqui as meninas de 14, 15 anos (mesma idade das suas alunas guianenses) saem com os homens por dinheiro, mas que isso não é nojento porque não há um sistema por trás, elas estão só fazendo um dinheirinho extra. Sem entrar no mérito, digamos, metafísico da questão, trata-se mais uma vez de auto-engano, de negação do que está claramente visível a qualquer um. Há homens que vigiam a praça, que vigiam as moças, que as conduzem a esta ou aquela mesa.

No fim da noite, alta madrugada, voltamos ao hotel onde estamos hospedados esta noite, e um homem de seus 50 e tantos anos puxa assunto. Português, morou no Brasil e está agora na Guiana porque fora expulso daqui. O homem tem um histórico de expulsões interessante. A primeira, diz ele, foi do Portugal de 25 de abril. Seu pai seria ministro de Salazar. Esse é outro que só vê o que lhe interessa ver, mas é também uma espécie de mitômano, eu suspeito, pois ao perceber que tipo de histórias buscamos, as produz prodigamente, sempre entremeadas com suas histórias de cidadão do mundo - o irmão seria banqueiro mas também maestro e falaria 14 linguas, entre as quais o chinês e o russo, o pai, o português salazarista, seria dono ou teria interesses em empresas internacionais de porte, como a Continental e a subsidiária da Petrobrás Petroflex.

Vou dormir exausto e um tanto enojado. E a barata imensa com quem travo o último embate da noite não é o maior dos motivos. Nem o cheiro de mofo no quarto ou a aparência rota dos lençois.

A pobreza e a feiura desse lugar. Agora há pouco eu estava sentado na varando do hotel escroto, já de manhã, esperando a lan house abrir, quando vi passar um casal. Ela branca brasileira, podia ser de classe média carioca, um bebê no colo, com um vestido pobre mas bonito, bem colorido. Ele, mulato magro, de bermuda e camisa polo. Na mão direita, um guarda-chuva, fazendo as vezes de guarda-sol, cobrindo a mulher e o bebê. Na mão esquerda, um menino de uns cinco anos. Eles passaram, seguiram pela rua horrenda com esgoto a céu aberto, foram seguindo. Eu fiquei olhando eles se afastarem... na direção do que? Me deu vontade de adotá-los, de protegê-los. Seria o efeito de afastamento da realidade operando também em mim? Eu não posso adotá-los, não posso protegê-los. Mas posso ser um deles. É isso que é escrever ficção, para mim. Posso ser ele ou ela, ou o menino, o bebê. Até o guarda-chuva fazendo as vezes de guarda-sol. E por escrito, num filme, num livro, fazer com que eles existam de uma outra forma, para além da rua horrorosa. Não serve para nada, não os protege nem ajuda, mas pelo menos os faz menos invisíveis, menos achatados pelo mundo, pelo Brasil. É só isso, fazer ficção. Olhar alguém e ser aquele alguém por um certo tempo. Claro que é também, bem flaubertianamente, fazer com que eles sejam eu, trazê-los para mim e levar-me até eles. Toda ficção que é puramente exterior aos personagens é de um jeito ou de outro pura pornografia.

Bom domingo.

Posted on Domingo, Março 30, 2008 at 09:45AM by Registered CommenterDavid França Mendes | Comments6 Comments

De um lado e do outro

Passamos a maior parte dos últimos dias do lado francês do Rio, em St Georges d´Oiapock. Hoje, viemos para o lado brasileiro. Vamos dormir aqui no Oiapoque, ver o que acontece à noite: a prostituição nas ruas, bares e boates, principalmente. Vai ser uma noite cansativa, especialmente porque a noite passada, em ST. Georges, foi intensa. Conseguimos finalmente penetrar um pouco a malha social da cidade e travar alguns conhecimentos. Falamos com donas de casa francesas, com um historiador negro guianenses, com prostitutas brasileiras e com gendarmes.

Ao mesmo tempo, as reuniões de trabalho estão cada vez mais produtivas, porque estamos nos entrosando melhor. Por sugestão de Benjamin, fazemos rodadas de trabalho sobre cada personagem. Como a idéia original do projeto é minha, eu primeiro apresentei os personagens que estão bem claros na minha cabeça, para que eles os apreendam. Depois, começamos a ver aqueles que estão menos claros, e abertos a discussão. E aí a contribuição dos colegas franceses tem sido ótima.

Essa é uma nota curta. Me esperam para ir para o Hotel Palace, um zero-estrelas em frente ao campo de futebol que é também o " calçadão" por onde desfila toda a Oiapoque toda noite, onde se bebe, e muito, e onde boa parte do comércio carnal se dá.

Até breve.

Posted on Sábado, Março 29, 2008 at 06:19PM by Registered CommenterDavid França Mendes | CommentsPost a Comment
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