Quantas narrativas, em livros, filmes, peças, dependem de um ou mais desencontros de personagens para poderem funcionar? Mas e agora, que qualquer desencontro pode ser resolvido com uma ligação de celular, um torpedo SMS ou um tweet, como ficam as histórias? Um artigo no New York Times discute esse tema, que parece bobo mas não é. Pensar nessas coisas é fundamental para quem escreve: quais são as tramas possíveis, quais são as tramas desejáveis hoje?
Do meu ponto-de-vista, as novas tramas têm que abandonar o desencontro, ou inventar novos desencontros mais mirabolantes que nunca, e apostar em outros efeitos: os efeitos da supercomunicação, da disponibilidade total, do narcisismo paranóico dos nossos tempos em que todos projetam suas presenças - e suas ausências - em todas as direções.