Trailer de "Um Romance de Geração"
Depois de alguns imprevistos que atrasaram nossa estréia, o filme afinal tem data definida para chegar aos cinemas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Dia 7 de agosto, em lançamento do Grupo Estação. E aqui vai o trailer. Vejam e passem adiante - "Um Romance de Geração" goes viral!!!
Encontro Inédito de Roteiristas no Rio (e você pode participar)
Serâo nove roteiristas de longa-metragem, quase todos também com experiência em séries de TV, falando a uma platéia de apenas vinte pessoas durante quatro noites em julho. O curso "Autores de Cinema - Encontros com Roteiristas", no Laboratório Estação (em Botafogo, Rio de Janeiro) vai ser uma série de apresentações e debates sobre temas fundamentais para quem está se iniciando como escritor de filmes. Os temas incluem: técnicas de diálogo e estrutura narrativa, processo criativo e mercado de trabalho.
Eu atuarei como mediador das mesas, todas as noites. Os convidados sâo nomes de peso da categoria: Elena Soarez e Renê Belmonte (falando sobre processo), Marcos Bernstein e Maria Camargo (estrutura), Adriana Falcão e Melanie Dimantas (diálogos) e Paulo Halm e Carlos Gregório (mercado). Entre os filmes escritos por esse time estão, entre muitos outros, Central do Brasil, Se Eu Fosse Você (1 e 2), O Auto da Compadecida, Carlota Joaquina, Cidade dos Homens... a lista é grande e cheia de bons filmes.
O evento é uma parceria entre o Laboratório Estação e a Autores de Cinema, começa dia 6 de julho e as inscrições jã estão abertas (informações no site do Laboratório). Aliás, eu sugiro que quem estiver interessado se inscreva logo. As vagas são bem poucas.
In on It
Faz umas três semanas, fui ver a peça "In on It", dirigida por Enrique Diaz, com Emílio de Melo e Fernando Eiras. Gostei muito do que vi e escrevi um textinho para o blog deles. Vejam lá se eu paguei mico me passando por comentarista teatral (não arriscaria dizer crítico!).
O filme e o ator
"Um Romance de Geração" e seu ator, Isaac Bernat, foram assunto do Caderno B do Jornal do Brasil de hoje. A matéria, assinada por Luiz Felipe Reis, tem como gancho o sucesso que o filme fez no Festival de Cinema Brasileiro de Paris. O texto inclui uma entrevista comigo e outra com Isaac, que está em alta, com o filme e uma peça estreando, e outros trabalhos encaixados. Bacana, porque Isaac é um senhor ator e ele merece. Abaixo, uma captura da página inteira. Para ler os textos, você pode ir ao JB Online. Aqui está a matéria do Isaac, aqui a geral sobre o filme.
Um Romance... em Paris
Aconteceram ontem à noite e hoje de tarde as sessões parisienses do meu longa "Um Romance de Geração". Eu não pude ir, por causa de outro projeto, mas fui representado pelos meus queridos atores Isaac Bernat e Nina Morena e pela produtora Isabela Santiago. Na foto, Nina e Isaac apresentando o filme. 
Isaac me ligou e contou que as sessões foram ótimas, especialmente a estréia, ontem à noite, com a platéia franco-brasileira reagindo bem, rindo muito e com perguntas bacanas no final. Legal, pena que eu não estava lá. :)
A Difícil Arte dos Desencontros, ou Como Escrever Tramas na Era da Comunicação Total
Quantas narrativas, em livros, filmes, peças, dependem de um ou mais desencontros de personagens para poderem funcionar? Mas e agora, que qualquer desencontro pode ser resolvido com uma ligação de celular, um torpedo SMS ou um tweet, como ficam as histórias? Um artigo no New York Times discute esse tema, que parece bobo mas não é. Pensar nessas coisas é fundamental para quem escreve: quais são as tramas possíveis, quais são as tramas desejáveis hoje?
Do meu ponto-de-vista, as novas tramas têm que abandonar o desencontro, ou inventar novos desencontros mais mirabolantes que nunca, e apostar em outros efeitos: os efeitos da supercomunicação, da disponibilidade total, do narcisismo paranóico dos nossos tempos em que todos projetam suas presenças - e suas ausências - em todas as direções.
Maradona, Dunga e os roteiristas
A Argentina toma de seis da Bolívia, Maradona está metendo os pés pelas mãos. Dunga não tomou de seis, mas quem gosta de futebol torce para que isso aconteça logo. Todo mundo esculhamba os dois, e com razão. Ninguém observa o essencial: por que dois caras que nunca treinaram nem escolinha são repentinamente alçados ao que seria o mais alto posto da carreira de técnico de futebol em seus respectivos países? Pelo mesmo motivo pelo qual se acredita que roteiristas estreantes, sem qualquer apoio ou experiência, uma vez ganhando um cachê de profissional serão capazes de escrever grandes roteiros: porque em nossas culturas, a experiência não tem valor e a mística do improviso e do gênio súbito superam a idéia de construção e de consolidação das coisas.
Claro que esse meu comentário reflete, ainda, a discussão em torno do edital do Ministério da Cultura para desenvolvimento de roteiro. Um edital que dá um prêmio bastante considerável (50 mil reais) para projetos de roteiro, com cotas por regiões e para estreantes. Agora, sou contra a regionalização? não. Já dei oficinas em vários lugares do Brasil e sei que há pessoas e histórias muito boas em toda parte. Sou contra premiar estreantes? menos ainda. É preciso ouvir novas vozes, sempre.
O que eu sou contra é a falta de, por um lado, um política de apoio técnico ao desenvolvimento desses estreantes e pessoas de regiões com pouco acesso à instrução específica sobre roteiro, e, por outro lado, a falta de investimento e até quase um descrédito em quem já fez alguma coisa mas precisa, também, avançar, melhorar.
Sem isso, ficam os estreantes jogados no fogo e os mais experientes, desmotivados.
É preciso discernir o que cada um precisa, e o papel de cada um no processo do cinema. É preciso formar para o longo prazo, dar suporte para quem vai fazer as coisas a médio prazo e apoiar quem vai escrever os filmes que serão feitos a curto prazo. É preciso investimente em formação, mais do que prêmios pontuais, e na valorização de quem já faz bem.
Sem isso, é como ir para a Copa do Mundo com técnicos improvisados. Perdidos, ainda que bem intencionados.
Tarkovski e Watchmen
Você sabe por que uns filmes são vistos e outros não? Preste atenção no situação que se segue, e você entenderá.
Outro dia um amigo lançou no Twitter uma reclamação. Ele tinha acabado de ver Watchmen e, decepcionado, lançou uma pergunta em tom de protesto: "por que Hollywood continua estragando um clássico depois do outro, em vez de produzir coisas originais". Eu, que sou implicante pra xuxu, não deixei passar e lancei minha resposta, igualmente pelo Twitter: "porque tem gente que paga ingresso para ver".
O amigo absorveu o golpe com o fair play que lhe é peculiar. Mas eu, que sou um implicante culpado, lembrei que há poucos dias ele buscava um filme do Tarkovski para alugar. Perguntei, numa de quem depois de morder assopra, se ele tinha conseguido o filme. "Não", respondeu, chateado, "só deu pra pegar o remake do Solaris com o George Clooney".
A conversa parou por aí. Mas hoje me voltou à cabeça esse papo. Porque, devidamente destrinchado, ele explica como funciona o cinema, porque os filmes são vistos e porque os filmes não são vistos. Meu amigo queria ver o Tarkovski, mas viu o Clooney simplesmente porque era o Clooney que era possível encontrar. Nenhuma das videolocadoras a que ele tinha acesso - e o amigo mora em São Paulo - tinha Tarkovski.
Ninguém quer ver Tarkovski, é por isso que não tem em locadora nenhuma. Será? será que meu amigo é um ser assim tão exótico? não me parece, afinal, como fizeram nos últimos dias outros milhões de habitantes desse nosso pequeno planeta azul, ele fora ver Watchmen. Trata-se, portanto, de um ser-humano normal e não de uma aberração como eu, que nem sequer tinha ouvido falar nos tais super-heróis de HQ até outro dia.
Deve haver outras pessoas por aí querendo ver Tarkovski, sim. E se elas são poucas, quem me diz que não estamos diante de uma situação de o-ovo-e-a-galinha? O paradoxo do Tostines? será que não haveria mais gente querendo ver filmes diferentes se houvesse mais filmes diferentes para a gente ver?
E se esses filmes que todo mundo vê, como Watchmen, fossem lançados em dois ou três cinemas em cada cidade? o que aconteceria? será que as pessoas ficariam em filas monstruosas para vê-los, insisitindo dia após dia, semana após semana, até gerar, nessas poucas salas, as cifras astronônimas que esses filmes geram? ou acabariam, com o passar das semanas, ouvindo o boca-a-boca de que o filme nem é essa Coca Cola toda e desistindo? ou nem isso, simplesmente se esqueceriam dele, distraídos por outras estréias?
Essa questão, para mim, não tem nada de acadêmica. Vou lançar meu pequeno filme independente, Um Romance de Geração, daqui a poucos meses. Distribuidora pequena (a Filmes do Estação), sem atores famosos e verba quase nula para divulgação, não espero ver o filme entre os top 10 da semana. Mas gostaria muito que as pessoas que podem gostar dele o vissem. No festival do Rio, uma platéia de 600 pessoas viu o filme e se divertiu. Não vou dizer que todo mundo gostou, isso não existe, mas houve risos o tempo todo, houve o calor de uma platéia que estava presente. Isso significa que o filme pode interessar pelo menos a algum público. Mas como o público vai saber? É como lançar um refrigerante que você só encontra em um restaurante: o acaso de alguém prová-lo é mais determinante das suas possibilidades comerciais do que o produto em si.
É claro que não se pode reduzir a complexa questão do sucesso comercial de um filme à distribuição. Mas tirá-la da equação por completo, como tantas vezes fazem jornalistas, críticos e até colegas cineastas, não dá, não é real, não é justo e, principalmente, não é produtivo se queremos que algo mude.
Há muitos filmes por aí que poderiam encontrar um público. O seu público, feito sob medida para rir do seu humor, se emocionar com os seus personagens, se interessar pela sua trama. Esse público e esses filmes são como caras-metades que não tem a sorte de serem apresentadas. Não estão indo às mesmas festas, e vivem cada um para um lado na mais perfeita solidão: uns filmes caindo no esquecimento, uns espectadores forçados a ver o Solaris que não era o que desejavam ver.
O Preço do Moralismo ou Como uns Peitinhos a Menos Ajudaram a Matar o Cinema de Autor
Desde os anos 50 até meados dos anos 80, cineastas do mundo inteiro que desejassem fazer os filmes que eles bem entendessem, sem dar satisfação demais aos produtores, lançavam mão de um estratagema infalível: prometer, aos referidos produtores, nudez e sexo na tela. Nem precisava ser muito, o suficiente para povoar um treiler, algumas fotos para o cartaz, um título safado e pronto: filmava-se em paz.
Godard prometeu Bardot pelada para ter a grana para fazer seu O Desprezo em technicolor, por exemplo. E são muitos os exemplos. Nagisa Oshima e seu belíssimo "O Império dos Sentidos". Boa parte dos filmes mais livres de Carlos Reichembach na Boca do Lixo paulistana dos anos 70 e 80 só foram possíveis porque entravam no rol das autofinaciáveis pornochanchadas.
Na Europa, na América do Sul e no Oriente (nos Estados Unidos, menos um pouco), o truque era o mesmo. E os filmes acabavam sendo inconformistas na forma e no sentido. Livres, cinematograficamente, tendiam a ser livres, libertários, sexualmente também. Mas isso importa menos. Pois muitas vezes os filmes mal tratavam de sexo. Podiam ser atormentadas pensatas existencialistas, até. Tornadas possíveis, repito, porque a promessa do erotismo vendia ingressos.
No Japão, felizmente, essa onda durou mais tempo, entrou pelos anos 90 e permitiu florescerem autores radicais e únicos como, por exemplo, Hisayasu Sato. Acabo de ver seu Rafureshia, de 1995. Um filme que começa com um pai fazendo sexo oral na filha, passa por alguns estupros e chega a um final feliz tão burlesco, picaresco até, que poderia estar no filme de Didi, Dedé, Mussum e Zacharias. Um filme irregular, muito ruim e muito bom ao mesmo tempo, mas acima de tudo livre, provocador. Autoral.
Mas o mundo encaretou. O público, especialmente o público jovem (e isso é estatística, não é palpite meu), tem pavor de nudez e sexo no cinema. De onde terá vindo isso? Sei lá. Talvez tenha vindo a reboqueda americanização do mundo. Realmente, não sei. Mas está aí, é real. Um realizador não tem mais a possibilidade de viabilizar financeiramente sua visão cinematográfica do mundo usando o truque dos pelados e das peladas.
O que ficou no lugar? A violência. Garanta brutalidades, mortes, sangue, ação no seu filme, e talvez você consiga chegar perto de fazê-lo. Tarantino fez o nome assim.
Trocou-se o sexo pela porrada. What a wonderful world.
Violência gratuita
O ator Michel Bercovitch está circulando uma carta em que conta da agressão que sofreu por parte de guardas municipais do prefeito do Rio, Eduardo Paes, durante um desses seus alardeados e ineficazes "choques de ordem". Abaixo, o depoimento de Michel:
Na manhã da última quinta-feira, dia 5 de março, recebi voz de prisão por desacato a autoridade. O fato foi amplamente divulgado pela imprensa e escrevo para dar meu depoimento pessoal a respeito do que aconteceu.
Fui à rua passear com meu cão, um inofensivo filhote de setter irlandês e, ao sair da portaria do prédio onde resido na Rua Marquês de São Vicente, fui surpreendido pelo que parecia ser mais uma das operações “Choque de Ordem” da nova administração da Prefeitura do Rio de Janeiro. De fato, uma retro escavadeira, caminhões, viaturas e dezenas de guardas municipais haviam sido mobilizados para se fazer cumprir uma decisão judicial de demolição do Bar e Restaurante “Espelunca Chic”. Moradores do bairro da Gávea, trabalhadores, homens e mulheres, senhoras, crianças e também cachorros tentavam se locomover em meio a um verdadeiro caos.
Naturalmente, perguntei a um dos guardas municipais por onde eu poderia passar com o meu cão, pois não havia nenhum cordão de isolamento, sinalização ou orientação para que a população pudesse circular em segurança. Ele, de forma rude, me respondeu que passasse pela rua, vale dizer, na contramão do fluxo de automóveis. Tentei seguir a orientação do guarda mas alguns passos depois vi que era impossível seguir adiante pois havia um caminhão no meio da passagem e outros pedestres vindo na direção contrária. Quando me virei para voltar, meu cachorro começou a brincar com o outro cão. Para eles, não existe “Choque de Ordem”, democracia ou ditadura, e todas as pessoas são pessoas, fardadas ou não.
Neste momento um soldado da Guarda Municipal apanhou o cassetete de um companheiro e disse: “me dá isso aqui, porque se esse cachorro pular em mim eu vou bater nele”.
Perguntei qual o motivo da ameaça de agressão, já que meu cão e eu não havíamos feito nada errado, imoral ou contra a lei. Minha pergunta não foi respondida com palavras pela autoridade, mas com uma truculenta agressão física. Fui jogado ao chão e surrado por vários guardas municipais. Meu cão foi arrancado de minhas mãos e abandonado na calçada em meio ao caos, sendo generosamente levado por um desconhecido, a quem pude com muito sacrifício dizer o número do prédio em que moro, pois logo fui jogado numa viatura e conduzido a 15ª DP da Gávea.
Me causa indignação saber que fui vítima de ação truculenta, resultado da incompetência, por parte do poder público, na condução de uma operação que se deve planejar pensando, assima de tudo, no respeito aos direitos cidadão.
Quero agradecer a todas as pessoas que se solidarizaram comigo e que também se indignaram com a ação irresponsável e desastrosa que levou ainda o gerente do estabelecimento destruído a sofrer uma isquemia cerebral que o mantém hospitalizado no Miguel Couto em estado grave. Solidarizo-me com sua família e com de todos os funcionários que, de uma hora para outra, perderam o local de trabalho que lhes garantia o sustento.
Que a nossa cidade apresenta irregularidades de toda ordem, concordamos todos, que inúmeros estabelecimentos comerciais, ou não, invadem espaço público e áreas de preservação ambiental, estamos também de acordo.
O que não podemos aceitar são os métodos utilizados em nome do bem público. Métodos esses que, salvo engano, trazem à memória dos mais velhos o longo período de arbítrio, quando então, na defesa da alardeada segurança nacional, os fins justificavam os meios.
Quero ainda deixar claro que não incitei meu cão a atacar ninguém e que em momento algum pretendi impedir a ação da justiça.
Michel Bercovitch


